quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Porque investir na gestão sustentável

Quando falamos em sustentabilidade no contexto corporativo, este conceito deve estar embutido na estratégia das companhias. Elas precisam compreender que provocam impactos socioambientais e que necessitam, de alguma maneira, criar medidas para eliminar ou minimizar estes efeitos. É necessário buscar um equilíbrio de resultados econômico/financeiros com respeito ao meio ambiente e promoção do desenvolvimento social.

Ainda não existem muitas leis que obrigam as empresas a aplicarem regras e conceitos sustentáveis em seus negócios. As medidas socioambientais acabam sendo instaladas porque o universo corporativo criou a consciência que, de algum modo, tem esta responsabilidade de garantir “ecoserviços” essenciais às gerações futuras, como solo fértil, clima equilibrado e água potável.
“Existem sistemas formais de gestão ambiental, a mais conhecida delas é a NBR ISO14001. Ela provém recursos e determina diretrizes, acompanhando isto periodicamente. Já temos também indicadores de sustentabilidade em bolsas de valores pelo mundo e índices sustentáveis empresariais aqui no Brasil. Há, inclusive, iniciativas que dão visibilidade a organizações que têm se preocupado com a causa”, explica Clovis Armando Alvarenga Neto, professor da Fundação Vanzolini e da Universidade de São Paulo.
Existem diversos caminhos para uma empresa desenvolver uma cultura sustentável. O primeiro passo em comum é romper algumas barreiras e inserir o compromisso ambiental na estratégia da companhia. Em segundo, é determinante um grande líder (porta-voz) no ambiente de trabalho que passe a mensagem e engaje os demais colaboradores nesta causa. O CEO, preferencialmente, deve ser o protagonista destas ações para que estes objetivos e metas entrem efetivamente no planejamento. “Os líderes precisam educar todos os funcionários nesta causa, além de tentar envolver os chamados stakeholders – clientes, fornecedores, comunidades envolvidas, etc. –, e dizer para este público quais são os valores e práticas do dia a dia”, indica Ricardo Voltolini, diretor-presidente da Ideia Sustentável, consultoria de sustentabilidade.

Compromisso social

Se as empresas estão reagindo e se reformulando pró-sustentabilidade é porque respondem também à pressão da sociedade. Elas entenderam que se os recursos naturais ficarem escassos e se as mudanças climáticas se intensificarem, o planeta e, por consequência, os negócios, irão se prejudicar. O aumento do interesse do público em geral no tema também aumentou bastante, refletindo na cultura e nos valores, principalmente, das grandes companhias.
“Grandes empresas implicam em maiores impactos. Esta tendência verde já vem forte há mais de 10 anos e a questão da sustentabilidade já entra em um dos cinco principais pilares da estratégica destas corporações”, conta Voltolini. De acordo com ele, este conceito já está absorvido porque ao longo do tempo, as organizações já vêm desenvolvendo processos e cuidado de ecoeficiência e descarte do lixo, por exemplo.

Texto retirado do site:
http://www.catho.com.br/carreira-sucesso/gestao-rh/porque-investir-na-gestao-sustentavel

segunda-feira, 30 de março de 2015

Passagem do transporte público de São Luís será aumentada.

Às vésperas do dia da mentira a passagem de ônibus da grande São Luís aumentará absurdamente. A mudança nas tarifas de ônibus de São Luís de acordo com a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e do Sindicato das Empresas de Transportes (SET) será a seguinte:
Antes                   Agora
R$           1,60                       1,90
R$           1,90                       2,20
R$           2,40                       2,80
A ‘justificativa’ da SMTT e do SET é devido o reajuste dos preços dos combustíveis, o aumento da frota da capital e o reajuste dos salários dos rodoviários garantido esta semana em acordo para evitar a greve.

Agora vamos por parte, o mais recente aumento do combustível foi de R$ 0,22 para a gasolina e de R$ 0,15 para o diesel por litro. A maioria dos ônibus utilizados para o transporte público utiliza o diesel como combustível, e o motor a diesel usado em carros e caminhonetes em média faz 11 quilômetros por litros. A maior distância que um ônibus percorre na ilha é do Centro de São Luís até São José de Ribamar (se estiver errada, por favor, me corrijam) que é de 35,4 quilômetros. Faça as contas, se não houvesse trânsito, seriam necessários 03 litros para percorrer esse trecho. Mas a vida não é tão simples assim. De qualquer maneira, façamos novamente as contas, quantos passageiros são levados durante cada uma dessas viagens por dia?
Se um ônibus levasse somente 10 pessoas a cada viagem (sabemos que é muito, muito maior esse número) e fizesse somente 10 viagens ao dia, em uma semana (somente) esse ônibus arrecadaria um total de R$ 1.680. (10 X 2,40 X 10 X 7). Só pra confirmar, 1.680 reais por semana, arrecadado por um único ônibus, levando (hipoteticamente) somente 10 passageiros e fazendo somente 10 viagens. Como sabemos tanto as viagens, quanto o número de passageiros é bem maior, a arrecadação por ônibus, é muito maior.

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Outro ponto citado como justificativa para o aumento das passagens foi o aumento da frota. Crescemos ouvindo dizer que “quanto maior a oferta, menor o preço” mas essa máxima não vale para o nosso transporte público. Uma frota que sabemos é antiga, suja e reutilizada de outras cidades do país. Quem já não viu, em um dos ônibus que percorre o bairro do São Francisco, uma rota de um bairro do Rio de Janeiro pintada no teto do ônibus? Ainda querem que acreditemos? Basta olhar o teto dos ônibus (da praça Gonçalves Dias se vê perfeitamente) de outra cor, ou seja, pintam as laterais dos ônibus para que a população acredite que a frota é nova.

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Isso sem contar a imundice dos ônibus, as cadeiras quebradas e sem conforto, as janelas que não abrem, ou no período de chuva, as janelas que podem abrir, se forem abertas, molham tudo e todos por dentro. O desconforto dos assentos quebrados e o risco de sofrer acidente nesses ônibus sucateados são outros problemas. Além da superlotação e da má educação tanto dos motoristas quanto dos cobradores. Aumento dos salários? Eles têm direitos sim, mas devem lembrar que nós somos clientes e assim devemos receber tratamento como tal. Quantas reclamações de ônibus que não passam no horário certo, ou pior, simplesmente não param nas paradas não ouvimos? Quem de nós não já não sofreu por um cobrador mal humorado? Como ficar do lado desses profissionais quando resolvem fazer greve por aumento de salário?

                                                Resultado de imagem para transporte público velho por dentro são luís
Pra finalizar este desabafo, quero sinceramente saber se a população rica de São Luís vai deixar por isso mesmo. Digo rica porque se aceita este aumento sem reclamar, é por que têm muito dinheiro de sobra. E só pra lembrar, o dia 1º de abril é um dia dedicado para as pegadinhas, mas essa pegadinha da Prefeitura de São Luís não tem a menor graça.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Despertar é preciso... principalmente para as informações na net

     É intrigante o fato das pessoas darem mais valor às coisas dos outros, dos estrangeiros, coisas de fora, do que o que é seu, de sua comunidade, de um 'igual' por assim dizer.
     Lendo alguns blog percebi que muitas pessoas colocam algo e/ou citam alguém, e sem pesquisar, informam que aquilo publicado é de Fulano de Tal lá dos Cafundós.
     Talvez porque achem chique colocar uma citação de um estrangeiro, como se ninguém da nossa terra pudesse ser tão culto ou mais. Ou talvez porque saibam que as pessoas consideram isso chique, louvável.
     É aquela velha história se repetindo: as pessoas dão mais valor ao que é de fora. Quem nunca ouviu isso? Quem nunca falou isso?
     O problema é que até mesmo quem fala acredita nisso.
     Um ótimo exemplo são as palavras do nosso dia a dia que estão cada vez mais se americanizando.      Ahh, por favor. Um assunto como esse tão comentado, e vou encher o saco de vocês de novo?   Não, não vou. Calma. Foi só pra exemplificar.
     Escrevo estas poucas linhas para mostrar que podemos sim (e devemos) valorizar o que é nosso.
     Esse blog que estava lendo, faz críticas aos governos passados do Maranhão, críticas bem pertinentes por sinal. Mas em um dos artigos, ele joga um poema e dedica ao poeta russo Vladimir Mayakóvki. Como nunca havia ouvido falar nele, e não me contento com os 'pedaços' de informações que a internet nos oferece, resolvi pesquisar.
     Fui primeiro atrás do poema: “Despertar é preciso”.
     Então encontro em um site de poemas a indicação: “Obs: Este poema não é de Vladimir Mayakóvski”. Descubro então, que o poema colocado no blog é apenas uma parte do poema, um parágrafo (se é que posso chamar assim). Essa pequena parte é compartilhada por vários sites e blogs sempre citando o russo.

     Depois de alguns cliques, descubro que o poema é de um brasileiro: Eduardo Alves da Costa. Como e porquê o poema foi direcionado ao russo Maiakóvski? Simples. O poema se chama “No caminho, com Mayakóvski”. Alguém (não vou chamar de idiota), em algum momento, achou que o único nome próprio, que se encontrava logo no início, era o nome do autor do poema. O próprio título também foi mudado para “Despertar é preciso”. Provavelmente porque é exatamente essa a mensagem do poema. Que compartilho com vocês:

No Caminho, com Maiakóvski
de Eduardo Alves da Costa


"Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.



Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.



Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir."

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sabe como se faz bolinha de gude?


a produção de bolas de gude em 2014 como no passado é de suma importância para o nosso planeta e para a reciclagem de vidro. É sim! pode acreditar, a produção da bolinha que brincávamos no passado quando moleque recicla muito vidro e até matérias vidro de velhos tubos de TV. Isso você não sabia, eu tenho certeza icon biggrin Você sabe como se Faz a Bolinha de Gude?

O que é uma Bolinha de Gude

A bolinha, nada mais é do que um pedacinho de fita de vidro incandescente que foi cortado e moldado em forma de bolinha, no vídeo você verá como é feito, e é bem legal. Após ela esfriar, ela vira o brinquedo que muitos amam até hoje.  Todos os dias somente nesta pequena fábrica que mostramos no vídeo recicla-se vidro de diversas origens e produzindo cerca de 3 toneladas de bolinhas de gude, todos os dias. Sim, sim! Todos os dias.
Pode até parecer uma brincadeira dos anos 80, mas saiba que esta brincadeira inocente, já consta nos registros há mais de 1600 anos! As bolinhas certamente podem ser rastreadas até o início da produção do vidro pelo homem lá na China :O Acredite!

A função da Reciclagem na Produção das Bolinhas

A reciclagem de vários materiais que muitas vezes você apenas descarta como lixo, pode acabar indo parar na produção dessa bolinha coloridinha aí.
Você sabia que até são vários tipos de vidro que podem acabar no forno para produção das bolinhas? Desde vidro de espelho do banheiro, garrafas de vinho, tubos de televisão e outras centenas de fontes de vidro que você e eu imaginávamos, ou seja, todo tipo e caco de vidro vai parar lá. O que é bom né, pois o que seríamos sem a reciclagem de vidro? Certamente essa material que pode ser reciclado indefinitivamente e que nunca perde sua propriedade seria descartado como lixo e nunca mais poderíamos utilizar esta matéria prima inigualável.
Fonte: Dicas Verdes

sábado, 2 de agosto de 2014

A Maquiagem Verde para vender produtos "sustentáveis".


Ser ou não ser sustentável, eis a questão!

A cada nova ida ao supermercado, à loja de material de construção ou mesmo nos intervalos da programação da TV e nas revistas, deparamo-nos com cada vez mais produtos se dizendo "eco", "verde"
, "amigo do meio
ambiente", "que preserva a natureza".

A lista é extensa, mas, infelizmente, constatamos que a grande maioria ainda é "maquiagem verde". Sinais de que a corrida maluca para o verde, isto é, distorções dos conceitos para se fazer parecer sustentável sem ser, cresce a cada dia. No Brasil, ainda não existem números sobre maquiagem verde, mas na Austrália, recente levantamento, identificou que 98% dos produtos oferecidos como verde são "maquiados".

A ambição de transformar uma empresa tradicional em uma organização sustentável é cada vez mais comum. De acordo com o getAbstract, principal serviço de resumos sobre livros técnicos recomendados para executivos, o termo sustentabilidade se tornou um dos temas mais focados na literatura de negócios. Entre os cerca de 5 mil títulos presentes no acervo, 460 volumes estão relacionados ao tema. A palavra sustentabilidade está no mesmo nível de procura que temas comuns como: “negociação”, “mercado de capitais”, “marketing” e “consultoria”. Entretanto, apesar de existir uma procura maior pelo tema, poucas organizações conseguem efetivamente ultrapassar a barreira entre a pretensão e a efetivação. Como diz a sabedoria popular: Falar é fácil, fazer não é tão simples.

A sociedade moderna está cada vez mais atenta à forma como as empresas realizam seus negócios. Quem estuda as tendências do mercado sabe que os consumidores aumentaram seus níveis de exigência no tocante à ética e transparência das empresas no relacionamento com seus stakeholders em questões de sustentabilidade e governança.

Não obstante o movimento nessa direção, muitos executivos permanecem apegados a uma visão de negócios que se limita à obtenção do lucro direto. Para eles, a necessidade de tornar o negócio sustentável é algo desvinculado de objetivos comerciais. O cuidado com o meio ambiente, por exemplo, é encarado como um elemento gerador de custos, e como tal, constitui um empecilho à competitividade. Na opinião desses gestores, as “políticas verdes” da empresa podem entrar, quando muito, no âmbito do marketing ou das ações sociais.

Um artigo publicado recentemente pela revista da Universidade de Harvard traz as conclusões do professor C.K. Prahalad e dos consultores M.R. Rangaswami, e Ram Nidumolu. Eles estudaram 30 empresas de grande porte e constataram que a busca por soluções ambientalmente corretas estimula a inovação. Descobriram também que a produção verde minimiza custos: os investimentos necessários à implantação de métodos de produção mais limpa e de mecanismos voltados a economizar insumos são compensados pela consequente redução de gastos.

As inovações organizacionais e tecnológicas inerentes a uma empresa sustentável são, portanto, fontes de lucro e de receita. Ao repensar produtos, tecnologias, processos e modelos de negócio, o gestor adquire vantagem competitiva.

Prahalad, Rangaswami e Nidumolu apontaram os cinco passos que devem nortear as ações das empresas. São eles: ajustar-se à legislação vigente e adequar-se às normas e aos códigos de adesão facultativa, criados por entidades não governamentais e associações, vendo tais normas como uma orientação e não como um fator impeditivo; fazer com que a cadeia de valores da empresa seja sustentável; criar produtos e serviços sustentáveis; desenvolver modelos de negócios baseados na sustentabilidade; e ter ações proativas, antecipando-se às tendências e ajudando a construir o futuro. “Práticas inovadoras mudam os paradigmas existentes”, afirmam os autores.

A visão dos articulistas se alinha à teoria do triple bottom line, desenvolvida pelo economista inglês John Elkington. De acordo com essa abordagem, a viabilidade econômica, a consciência ambiental e a responsabilidade social compõem o tripé conceitual que serve de base a todas as práticas de desenvolvimento sustentável.

A caminhada rumo a um modelo produtivo que valorize o ser humano e o meio ambiente, sem abrir mão do lucro e da geração de riquezas, é irreversível. E o dilema hamletiano proposto no título deste artigo – ser ou não ser sustentável – deve ser substituído por outro tipo de atitude: a convicção de que devemos, sim, ser sustentáveis, pois somente as empresas que se alinharem aos novos paradigmas serão efetivamente bem-sucedidas.

Autores: Newton Figueiredo; Rafael Morais Chiaravallot; Ieda Novais.

Fonte: Revista Sustentabilidade;

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Entrevista com a AMA


A AME SLZ foi em uma reunião da AMA – Associação de Amigos do Autista do Maranhão e podemos conversar bastante sobre as ações que a Associação irá fazer nesta semana em prol do espectro autista.
Antes de falarmos sobre os eventos da semana, o grupo que estava no hotel Cantaria no Centro da cidade – local onde se reúnem uma vez por mês – nos falou um pouco das dificuldades e do significado de um dia de conscientização do autismo.

“O dia 2 de abril é um dia de luta. Dia de luta mundial de conscientização. Mostramos pra sociedade que nossos filhos são capazes. O objetivo é mostrar a todos que o autista tem muito a contribuir com a sociedade. O autista tem sim, capacidade de interagir com o outro, de ser carinhoso, afetuoso.” Falou Darly Machado, pedagoga especialista em educação e funcionária da rede municipal da SEMED e 1ª secretária da AMA.

Cláudio Garcês ressaltou o fato de haver no mundo 70 milhões de autistas. “O país que mais tem casos de autismo é os EUA, em segundo vem o Brasil. Só em São Paulo tem 500 mil autistas, e o Maranhão é o segundo estado com maior número de autistas.”

Mesmo assim os investimentos dos poderes públicos em pesquisas e tratamentos direcionados aos autistas são minúsculos.

Deram como exemplo de investimento a Suécia, país de primeiro mundo que quase não tem crianças autistas, mas as que têm, são direcionadas para a universidade. “Uma criança com dez, onze anos que tem habilidade pra alguma área da ciência está dentro de um laboratório de universidade, porque ela não senta em uma sala de aula para estudar a teoria, ela parte direto pra prática e aí vai vendo a teoria. Aqui pra colocar em uma escola de primeiro grau é difícil, não aceitam." Afirmou o Cláudio.

“Ainda tem a ideia de que os autistas não são capazes, quando os incapazes são eles por não conseguirem trabalhar com um autista. Mas existem níveis de autismo, e a maioria pode ser trabalhada.” Reclamou Darly.

Foi comentado o fato de o país não incentivar, não apoiar os cientistas, os profissionais nos seus estudos e pesquisas. Que se o país quisesse investir, aqui poderia ser desenvolvido um bom trabalho na área de tratamento do autista.

Lembraram o fato de que vários pais já tiveram que entrar na justiça para conseguirem matricular seu filho em uma escola aqui em São Luís. Um dos entrevistados contou que chegou na central de medicamentos do estado para receber o medicamento do neto e a moça que o atendeu disse-lhe que não tinha o remédio e que se quisesse que ele fosse buscar o medicamento na farmácia do município. Ele pediu que ela escrevesse o que estava dizendo, ela assim o fez, e então ele entrou na justiça contra ela e contra o estado. Ganhou a ação e todo mês recebe um alvará para a compra do medicamento.

A associação já está com o corpo jurídico pronto para trabalhar nesse tipo de causa, mas precisam de uma sede para oferecer esse serviço à população.

O fato de não possuírem uma sede própria é a maior dificuldade que a AMA encontra para continuar fazendo o seu trabalho. Que antes, quando tinham um local cedido no bairro do Cohatrac ele conseguiam atuar com voluntariado fazendo encontros, palestras e outros eventos direcionados aos autistas. Houve uma época que conseguiram arrecadar quase 11 mil com a venda de comidas típicas maranhenses em um arraial aqui na ilha, e com esse dinheiro iniciaram um projeto de hidroterapia. Na época contemplaram por volta de 50 crianças e adolescentes autistas, além do trabalho paralelo com as famílias. Mas infelizmente tiveram que devolver o espaço cedido no Cohatrac e parar com o projeto.

Na época também tinham o projeto escola, no qual ensinaram professoras para lidarem com as crianças autistas, havia também um professor de capoeira especializado em crianças autistas, mas também tiveram que parar por não terem mais o local para realizarem as atividades.

Além de não poderem dar continuidade aos projetos, outro grande empecilho de não terem uma sede própria é o fato de não conseguirem apoio de empresas públicas e privadas.

A busca por uma sede é longa. Várias tentativas de conseguir um local já foram feitas. Já visitaram e encontraram vários prédios abandonados que poderiam ser doados, mas devido à burocracia pública nada é feito.

Ano passado identificaram três prédios de escolas desativadas. Uma no bairro do Bequimão com mais de quarenta salas. Mas bastou a indicação de que a escola estava desativada para que o poder público voltasse a utilizar o espaço.  Todas as vezes que a AMA descobre um imóvel e pede o espaço, o poder público responsável acaba por reutilizar os locais indicados. “Nós somos fiscais dos poderes públicos, indicando os locais.” Reclamou Alexandre Marques que tem um filho autista e pintor de 16 anos.

 A AMA vai completar 10 anos de existência em setembro deste ano. Têm 173 famílias associadas e ajudam intervendo como podem, seja no lado da educação, seja no lado da saúde fazendo algum encaminhamento clínico, seja conversando e apoiando as famílias em um primeiro momento.

Entrevista com grupo Ilha Azul


A AME SLZ foi conversar com uma das mães da associação Ilha Azul, que atua aqui em São Luís para a divulgação de informações sobre o autismo. A Luise Murakami Winkler nos recebeu em casa e nos deu várias informações importantes.
A primeira foi sobre as ações da Ilha Azul em comemoração ao dia 02 de abril. Cinco pontos estratégicos de São Luís serão iluminados com a cor azul para que todos se sensibilizem com o tema e tenham também curiosidade e procurem entender mais sobre o assunto. Além de uma caminhada com panfletagem informativa que sairá da praça do pescador na Avenida Litorânea.
Outra atividade da associação Ilha Azul será a segunda edição da Jornada Maranhense juntamente com a décima sétima jornada regional de autismo, que ocorrerá do dia 04 de abril ao dia 07 de abril aqui na cidade.
O Grupo Ilha Azul é uma é uma entidade sem fins lucrativos, que tem entre os seus objetivos o intuito de desenvolver atividades de assistência integral e multiprofissional aos pais de filhos autistas.
Em 2008 várias mães tiveram a necessidade de conversar sobre a situação que seus filhos estavam passando e aprender mais umas com as outras, foi então que nasceu a Associação dos Pais, Familiares e Amigos de Pessoas com Transtorno do Espectro Altista.
Nas reuniões as mães descobriram que além da demora do diagnóstico, os médicos sempre indicavam a visita a um Terapeuta Ocupacional e a um Fonoaudiólogo, para tratar de alguns atrasos funcionais e de linguagem. Depois que se descobria o TEA (Transtorno do Espectro Autista) elas, as mães, ao procurarem mais e melhores formas de lidar com o autismo, descobriram que havia pouquíssimos tratamentos aqui em São Luís, que a maioria se encontrava em São Paulo e que eram tratamentos caríssimos. Assim decidiram trazer, de São Paulo, por conta própria uma equipe especializada no tratamento ABA (Applied Behavior Analysis – em português Análise Aplicada do Comportamento).
Luise confirmou que “é uma doença nova, de tratamento caro e difícil, principalmente para crianças mais comprometidas. O Brasil ainda está engatinhando no que se trata de autismo e a quantidade de profissionais para a área é muito pouca. E isso faz com que o tratamento seja muito caro.”.
Dividiram os custos que poderiam ser divididos, mas cada uma pagou pelo tratamento direcionado aos seus filhos.
Assim perceberam que aqui em São Luís havia uma necessidade enorme de divulgar informações sobre o autismo tanto para as outras mães quanto para a população em geral.
Foi então que surgiu a ideia de fazer uma Jornada Maranhense de Autismo, que já está na segunda edição. Com apoio da ABRA – Associação Brasileira de Autismo – a jornada terá 2 dias dedicados ao conhecimento do mundo autista.
“O objetivo é trazer informação, se a gente conseguir munir as famílias e os profissionais de informação, vai encher o mercado de pessoas com o conhecimento e aí sim a gente vai poder dar tratamento às pessoas daqui do Maranhão.”.


Sobre o Ensino Baseado em Análise do Comportamento Aplicada (ou Terapia ABA):
É um tratamento que se baseia na análise dos diversos tipos de comportamentos que o autista realiza no seu cotidiano.
É uma ciência e tecnologia cujo objetivo final é compreender o comportamento e, a partir disso, criar estratégias socialmente valorizadas para melhorar a qualidade de vida humana. A Terapia ABA para o autismo, mais especificamente, envolve a família e profissionais que convivem com indivíduos autistas na criação de condições especiais de aprendizagem que favorecem o desenvolvimento cognitivo, social, da linguagem e da independência funcional. Além disso, possui um conjunto de procedimentos investigativos e práticos para lidar com a ocorrência de comportamentos problemáticos, reduzindo sua frequência ou os substituindo por comportamentos apropriados. 
O tratamento apresenta os resultados mais promissores. Lovaas, em 1987, mostrou que 47% das crianças que realizaram Terapia ABA por 40 horas semanais durante dois anos deixaram de apresentar os comportamentos típicos do autismo, enquanto apenas 2% das crianças que não realizaram a terapia obtiveram ganhos semelhantes. Howard e colaboradores, em 2005, compararam a efetividade de um tratamento ABA intensivo (cerca de 30 horas por semana) com um tratamento eclético intensivo (30 horas por semana), composto por outras terapias comportamentais e sensoriais. Ambos os tipos de tratamento foram executados por 14 meses. O grupo de participantes tratado com ABA mostrou melhores resultados em tarefas cognitivas, sociais e de linguagem em comparação ao grupo que recebeu tratamento eclético. 
Os resultados positivos obtidos pela Terapia ABA estão ligados a alguns dos seus princípios e procedimentos. Uma primeira característica importante é o fato de os procedimentos de ensino serem derivados de pesquisas científicas: todas as atividades propostas pelos terapeutas ABA foram investigadas e provadas funcionais antes de serem aplicadas nos estudantes. A essa característica soma-se a cuidadosa avaliação realizada no indivíduo que passará pela Terapia; isso permite a elaboração e planejamento de atividades mais efetivas por serem específicas para cada estudante. A avaliação ocorre no início da Terapia, mas é realizada continuamente durante todo o processo terapêutico, possibilitando que os pontos positivos do tratamento sejam identificados; mais importante, o registro constante possibilita que elementos problemáticos ou não efetivos do processo terapêutico sejam imediatamente reconhecidos e alterados por estratégias mais eficientes. 
Parte da funcionalidade da Terapia ABA pode ser atribuída às estratégias utilizadas pelos profissionais para garantir que seus estudantes estejam constantemente motivados ao trabalho; para isso, não apenas testes de preferências são frequentemente realizados, como estratégias que ajudam a evitar erros são empregadas. Outro aspecto importante da Terapia ABA é o respeito ao ritmo individual do estudante combinado com a exigência de domínio do conteúdo para que o programa de ensino evolua; esse princípio garante que o estudante aprenda de forma gradual e que esteja pronto para as mudanças de conteúdo quando elas ocorrerem. Junto a essas características, os terapeutas ABA acreditam que falhas ou atrasados no ensino ocorrem devido ao seu próprio trabalho e não a características negativas ou dificuldades do estudante. Essa filosofia que pode ser resumida em “o estudante sempre tem razão” motiva o profissional ABA a incessantemente procurar alternativas mais efetivas para ensinar seus alunos. É uma filosofia otimista e inclusiva que traz benefícios tanto ao estudante quanto ao professor, pois o primeiro recebe ensino de qualidade e o segundo é obrigado a aprender e a reavaliar a si mesmo continuamente.