A AME SLZ
foi em uma reunião da AMA – Associação de Amigos do Autista do Maranhão e
podemos conversar bastante sobre as ações que a Associação irá fazer nesta
semana em prol do espectro autista.
Antes de
falarmos sobre os eventos da semana, o grupo que estava no hotel Cantaria no
Centro da cidade – local onde se reúnem uma vez por mês – nos falou um pouco
das dificuldades e do significado de um dia de conscientização do autismo.
“O dia 2 de abril é um
dia de luta. Dia de luta mundial de conscientização. Mostramos pra sociedade
que nossos filhos são capazes. O objetivo é mostrar a todos que o autista tem
muito a contribuir com a sociedade. O autista tem sim, capacidade de interagir
com o outro, de ser carinhoso, afetuoso.” Falou Darly Machado, pedagoga
especialista em educação e funcionária da rede municipal da SEMED e 1ª
secretária da AMA.
Cláudio Garcês
ressaltou o fato de haver no mundo 70 milhões de autistas. “O país que mais tem
casos de autismo é os EUA, em segundo vem o Brasil. Só em São Paulo tem 500 mil
autistas, e o Maranhão é o segundo estado com maior número de autistas.”
Mesmo assim os
investimentos dos poderes públicos em pesquisas e tratamentos direcionados aos
autistas são minúsculos.
Deram como exemplo de
investimento a Suécia, país de primeiro mundo que quase não tem crianças
autistas, mas as que têm, são direcionadas para a universidade. “Uma criança
com dez, onze anos que tem habilidade pra alguma área da ciência está dentro de
um laboratório de universidade, porque ela não senta em uma sala de aula para
estudar a teoria, ela parte direto pra prática e aí vai vendo a teoria. Aqui
pra colocar em uma escola de primeiro grau é difícil, não aceitam."
Afirmou o Cláudio.
“Ainda tem a ideia de
que os autistas não são capazes, quando os incapazes são eles por não
conseguirem trabalhar com um autista. Mas existem níveis de autismo, e a
maioria pode ser trabalhada.” Reclamou Darly.
Foi comentado o fato
de o país não incentivar, não apoiar os cientistas, os profissionais nos seus
estudos e pesquisas. Que se o país quisesse investir, aqui poderia ser desenvolvido
um bom trabalho na área de tratamento do autista.
Lembraram o fato de
que vários pais já tiveram que entrar na justiça para conseguirem matricular
seu filho em uma escola aqui em São Luís. Um dos entrevistados contou que
chegou na central de medicamentos do estado para receber o medicamento do neto
e a moça que o atendeu disse-lhe que não tinha o remédio e que se quisesse que
ele fosse buscar o medicamento na farmácia do município. Ele pediu que ela
escrevesse o que estava dizendo, ela assim o fez, e então ele entrou na justiça
contra ela e contra o estado. Ganhou a ação e todo mês recebe um alvará para a
compra do medicamento.
A associação já está
com o corpo jurídico pronto para trabalhar nesse tipo de causa, mas precisam de
uma sede para oferecer esse serviço à população.
O fato de não
possuírem uma sede própria é a maior dificuldade que a AMA encontra para
continuar fazendo o seu trabalho. Que antes, quando tinham um local cedido no
bairro do Cohatrac ele conseguiam atuar com voluntariado fazendo encontros,
palestras e outros eventos direcionados aos autistas. Houve uma época que
conseguiram arrecadar quase 11 mil com a venda de comidas típicas maranhenses
em um arraial aqui na ilha, e com esse dinheiro iniciaram um projeto de
hidroterapia. Na época contemplaram por volta de 50 crianças e adolescentes
autistas, além do trabalho paralelo com as famílias. Mas infelizmente tiveram
que devolver o espaço cedido no Cohatrac e parar com o projeto.
Na época também tinham
o projeto escola, no qual ensinaram professoras para lidarem com as crianças
autistas, havia também um professor de capoeira especializado em crianças
autistas, mas também tiveram que parar por não terem mais o local para
realizarem as atividades.
Além de não poderem
dar continuidade aos projetos, outro grande empecilho de não terem uma sede
própria é o fato de não conseguirem apoio de empresas públicas e privadas.
A busca por uma sede é longa. Várias tentativas de conseguir um local já foram feitas. Já visitaram e encontraram vários prédios abandonados que poderiam ser doados, mas devido à burocracia pública nada é feito.
Ano passado identificaram três prédios de escolas desativadas. Uma no bairro do Bequimão com mais de quarenta salas. Mas bastou a indicação de que a escola estava desativada para que o poder público voltasse a utilizar o espaço. Todas as vezes que a AMA descobre um imóvel e pede o espaço, o poder público responsável acaba por reutilizar os locais indicados. “Nós somos fiscais dos poderes públicos, indicando os locais.” Reclamou Alexandre Marques que tem um filho autista e pintor de 16 anos.
